Primeira Escolha - Avaliação em Pauta

Item de múltipla escolha é uma boa opção?

Escrito por Aline dos Reis Matheus | 12/03/2018 11:20:00

 

  Os itens de múltipla escolha constituem quase sempre a alternativa mais viável para uma avaliação em larga escala. Isso, obviamente, porque o processamento de milhares de respostas em um tempo oportuno é um desafio extremamente facilitado por esse formato, ainda mais com o advento dos leitores ópticos. Na escola, entretanto, os itens de múltipla escolha nem sempre são utilizados nas avaliações internas e, quando o são, isso muitas vezes se dá mais pela intenção dos educadores de familiarizar os alunos com esse tipo de item do que por convicção acerca de seu potencial avaliativo.

  Compreensivelmente, os professores, muitas vezes, querem “ver o raciocínio” do estudante e entendem que isso só seja possível por meio de itens de resposta construída (nome técnico para as popularmente chamadas questões dissertativas ou abertas). É claro que as aspas anteriores destacam um abuso de linguagem, pois é impossível ver um raciocínio, embora se possa fazer algumas inferências sobre ele a partir de certas evidências dadas pelo registro. Nesse sentido, um item de múltipla escolha, se bem construído, também pode permitir tal tipo de inferência, especialmente se os distratores (alternativas erradas) forem construídos para expressar dificuldades de entendimento que um professor experiente conhece bem.

   Como exemplo, vamos imaginar uma situação em que um professor de Matemática do 6º ano quer investigar o conhecimento prévio de seus alunos sobre o significado e a comparação de frações. Vamos analisar e comparar dois itens de que ele poderia lançar mão para tal.

       Item 1

  Circule a maior fração e, em seguida, explique como você chegou a essa resposta.

                                                               1/2     3/4     1/5           


  As respostas dos alunos ao item 1 podem variar entre o erro e o acerto e a escolha das respostas erradas ½ e 1/5 podem sugerir ao professor quais seriam as hipóteses equivocadas dos alunos.  Entretanto, pede-se ainda que eles expliquem como chegaram à resposta, de modo que o professor possa confirmar ou refutar seu entendimento sobre as hipóteses dos alunos.

  Com alguma experiência na análise das respostas dadas pelos alunos a um item como o 1, o professor poderia compilar as explicações mais comuns e transformá-lo em um item de múltipla escolha. Isso poderia trazer maior rapidez no processamento dos resultados, para que ele possa dar aos alunos um feedback mais ágil, o que tem sido confirmado pelas pesquisas em Educação como um fator importante para a aprendizagem dos alunos. O item 2 abaixo exemplifica como poderia ser feita essa transformação.

       Item 2

  Joana, Marcelo e Ana Maria querem decidir qual fração é maior:  ½,  ¾ e 1/5. Veja o diálogo entre eles:

  • Joana: É muito fácil. A maior fração é 1/5, porque 5 é maior que todos os outros números que aparecem.
  • Marcelo: Eu acho que a maior fração é ½, porque quanto menor o número debaixo, maior é a fração, porque a gente divide o todo em menos pedacinhos.
  • Ana Maria: ¾ é a maior, porque dá para ver quando você desenha as frações.

 

  Quem decidiu corretamente qual é a maior fração foi

  1. a Joana.
  2. o Marcelo.
  3. a Ana Maria.

 
  Obviamente, isso não significa que todo e qualquer item de avaliação possa ser transformado em um item de múltipla escolha. Os objetivos pedagógicos, para além dos conteúdos, relacionam processos cognitivos os mais diversos: memorizar, compreender, aplicar, analisar, avaliar, criar... Para avaliar objetivos pedagógicos que envolvem algum tipo de criação, por exemplo, os itens de múltipla escolha são claramente inadequados.

  O ideal é que o formato de um item de avaliação seja escolhido em função da melhor adequação àquilo que se pretende avaliar. Desse modo, espera-se que, dada a variedade e a amplitude do espectro de objetivos pedagógicos, as formas de avaliação também sejam diversificadas. Os itens de múltipla escolha constituem mais uma alternativa para o professor.

 

 

 

 

 

Aline dos Reis Matheus 
Diretora Educacional Academia Primeira Escolha